segunda-feira, 22 de julho de 2019

A D. Europa é uma velha senhora, com a minha idade




Nasci no ano em que surgiu o tratado que lançou a primeira das comunidades do projeto europeu, a CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, restrita a um mercado comum para tais produtos, mas permitindo ensaiar um modelo de gestão supraestadual, principalmente entre franceses, alemães e italianos, para além de holandeses, belgas e luxemburgueses, com estes três últimos já integrados pela experiência do Benelux. É quando também se funda a nova Internacional Socialista, em Frankfurt.

Albert Camus (1913-1960) lança L’Homme Revolté e Hannah Arendt (1906-1975) começa a teorizar sobre as origens do totalitarismo, num texto que tem o inicial título de The Burden of Our Time.   

O nosso espaço político, entre os salazaristas e os comunistas, quase parece um deserto, mesmo que, por ele, passem algumas andorinhas que, sem caravana, não conseguem dar adequado sinal de primavera. 


O regime precisa de continuar a ter na cúpula uma espécie do pau de bandeira do Vinte e Oito de Maio, com o sucedâneo de um rei, parecido com que continuará depois do Vinte e Cinco de Abril, com Spínola, Costa Gomes e Ramalho Eanes, este último já em eleições, com sufrágio universal e direto, eliminando os traumas de Sidónio Pais e Óscar Carmona.

Daí que, em 1951, candidate Craveiro Lopes, enquanto a oposição opta por outro militar, Manuel Quintão Meireles que, sem ser por acaso, tinha sido ministro da ditadura. Uma tática inspirada por António Sérgio que será repetida em 1958, com Humberto Delgado, visando aquilo que Salazar mais temia: um golpe de Estado constitucional que, obviamente, o demitisse.

Isto é, reconciliando os militares com a democracia dos partidos. 

Mas é só com Mário Soares (1924-2017) que aparece o primeiro civil eleito presidente, com os partidos a ocuparem o palácio de Belém, a que se sucedem Jorge Sampaio (1939-), Aníbal Cavaco Silva (1939-) e Marcelo Rebelo de Sousa (1948-), já depois de os militares serem acantonados nos quartéis e os capitães do MFA, na Associação 25 de Abril, conseguindo uma espécie de armistício com os oficiais gonçalvistas do PREC.

O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...