A liberalização, a republicanização, a salazarquia e o abrilismo começaram sempre como ditaduras de governos provisórios, marcados pelo movimento perpétuo dos nomocratas, legiferantes e reformistas, sentados nos seus paço e gabinetes, numa revolução feita de cima para baixo, em nome das boas intenções.
Os factos políticos posteriores que eles geraram, das eleições às constituições, ao confirmarem esses impulsos e antecipações, apenas demonstraram como tais supremos arquitetos souberam captar o sentido do promontório dos séculos de um Portugal futuro que a ditadura dos governos provisórios dedilharam em decretos, em nome do progresso e da civilização.
