A liberalização, a republicanização, a salazarquia e o abrilismo não se reduziram às manias dos revolucionários contra a vontade dos povos, apenas as anteciparam. Mesmo a ditadura militar, quando lança a institucionalização de um chefe de Estado eleito por sufrágio direto e universal, a principal reivindicação do sidonismo, desenha umas das trevas mestras que o abrilismo institucionaliza.
O sistema democrático de hoje constitui, assim, uma espécie de república coroada, mantendo algo do elemento monárquico e transformando a democracia num regime misto, para lhe garantir a estabilidade.
Aliás, nos começos do abrilismo, nem sequer o faz com um "homo partidários", mas antes com um militar, como o tinham sido Sidónio, Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás, todos dotados do carimbo eletivo.
Aliás, a própria oposição tinha candidatado Norton de Matos, Quintão Meireles e Humberto Delgado, não desdenhando de uma sociedade de ordens, com os militares a exercerem uma espécie de tutelas patriótica.
Só na fase pós-provisória da democracia é que antigos chefes de partido se dão ao luxo de civilizar totalmente o aparelho de poder, depois de os militares serem remetidos para os quartéis, sem serviço militar obrigatório.

