sexta-feira, 19 de julho de 2019

Preparando a comemoração do duplo centenário da revolta liberal




Está no prelo nova obra de José Adelino Maltez sobre a biografia do país político, entre 1820 e 1974. Aqui se irão editando, sem sequência cronológica, alguns excertos sobre o tema. Todas as revoluções são mesmo pós-revolucionárias. Não passou a haver democracia depois do 25 de Abril de 1974. Não existiu uma revolução nacional em 28 de Maio de 1926. A república não foi instaurada em 5 de Outubro de 1910. E a liberdade não nasceu em 24 de Agosto de 1820. 
São piedosas mentiras da literatura de justificação dos regimes que tentam fazer, da história, uma espécie de ferrovia de linha única, com discriminadas estações, pelas quais todos teríamos de passar, conforme o manual de procedimentos do chefe do comboio, dito a caminho do progresso e do fim da história
Porque, de acordo com a cartilha, todos teríamos de ser inventariados como jacobinos que passaram a republicanos, ou laicistas que se tornaram socialistas, sempre em nome dos amanhãs que cantam, até com democracias sem povo, mas com castas recicladas e mandarins letrados. 
Felizmente, há quem queira fugir dos ovençais do pretenso processo histórico, o que alguns mestres-pensadores querem escrever por nós, através de dogmas e falseadas ciências que usam do saneamento, do ostracismo e da velha presiganga. 
É que, nestas matérias, onde, na prática, a teoria sempre foi outra, não há propriamente deus e o diabo, entre liberais contra absolutistas, cartistas contra miguelistas, progressistas contra reacionários, democratas contra monárquicos, antifascistas contra salazaristas, ou democratas contra populistas.

O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...