Os factos
sociais não são coisas. E não se moldam os homens livres pela produção em
série dos engenheiros de almas. Tal
como a história não é um laboratório onde se faça o homem, conforme os catecismos da
chamada boa doutrina.
Pelo contrário, é o
homem que faz a história, mesmo sem saber que história vai fazendo.
Logo,
pode fugir-se do caixilho, onde, à martelada inquisitorial, nos querem meter.
Por isso, dividiremos o ciclo em liberalização,
sem liberalismo, republicanização,
sem enraizada democracia, e a consequente salazarquia,
que não passou de regresso da viradeira.
O povo nunca mandou, manda ou mandará. Mas apenas comandam os que conseguem fingir que o
fazem em nome do povo. A democracia não passa de uma norma perfeita para os anjos que
não somos, mas que permite aos humanos procurar a perfeição do melhor regime,
através da ilusão de ascendermos aos deuses
que nunca seremos.
