sexta-feira, 19 de julho de 2019

Um libertário e um integralista não podem ser professores na Universidade de Lisboa




Em 1914, João Evangelista Campos Lima (1877-1956), um teórico anarcossindicalista, falha a candidatura para o concurso para a Faculdade de Ciências Sociais e Direito de Lisboa, com a dissertação O Estado e a Evolução do Direito, tal como se frustra a do integralista José Hipólito Raposo (1885-1953) para a Faculdade de Letras, com Sentido do Humanismo. Não são propriamente saneamentos políticos, mas atos reveladores de um processo de seleção de elites onde, em cada círculo, é sempre punido quem sai fora da opinião dominante, tanto da que está no poder, como daquela que o poder recruta, por ser considerada convenientemente avançada. 
E numa Faculdade de Direito, fundada e dirigida pela principal figura do regime, Afonso Costa, a entrada de um anarcossindicalista, embora maçom e antigo líder da greve académica de 1907, é tão arriscada quanto a de um irreverente monárquico, na escola de Teófilo Braga (1843-1924).
Os republicanos precisam de transformar as escolas de estudos sociais e humanidades da universidade da capital numa espécie de seminários do novo regime, numa atitude que apenas vai consolidar-se uma década depois e já ao serviço da ditadura constitucional do Estado Novo.

O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...