Em 1914, João
Evangelista Campos Lima (1877-1956), um teórico anarcossindicalista, falha a
candidatura para o concurso para a Faculdade
de Ciências Sociais e Direito de Lisboa, com a dissertação O Estado e a Evolução do Direito, tal
como se frustra a do integralista
José Hipólito Raposo (1885-1953) para a
Faculdade de Letras, com Sentido do Humanismo. Não são
propriamente saneamentos políticos, mas atos reveladores de um processo de
seleção de elites onde, em cada círculo, é sempre punido quem sai fora da
opinião dominante, tanto da que está no poder, como daquela que o poder
recruta, por ser considerada convenientemente avançada.
E numa Faculdade de
Direito, fundada e dirigida pela principal figura do regime, Afonso Costa, a entrada de
um anarcossindicalista, embora maçom e antigo líder da greve académica de 1907,
é tão arriscada quanto a de um irreverente monárquico, na escola de Teófilo
Braga (1843-1924).
Os republicanos precisam de transformar as
escolas de estudos sociais e humanidades da universidade da capital numa
espécie de seminários do novo regime, numa atitude que apenas vai consolidar-se
uma década depois e já ao serviço da ditadura constitucional do Estado Novo.
