sábado, 20 de julho de 2019

A nova república velha, a noite sangrenta e o silvismo



Os republicanos da nova república velha do pós-sidonismo, depois de perderem os velhos inimigos monárquicos, à Paiva Couceiro, com o seu reviralhismo, nem reparam que novos inimigos são outros. 

Primeiro, os neomonárquicos do Integralismo Lusitano, com alguns experimentados em republicanismo, nomeadamente na greve académica de 1907. 

Em segundo, os neocatolaicos gerados no CADC e integrados no CCP, como Salazar. 

Em terceiro, os defensores de um cartel das esquerdas, à maneira dos seareiros. 

Quarto, a possibilidade de restauração de um partido socialista. 

Quinto, a hipóteses se organização de um partido da direita republicana.

Os tiros da noite sangrenta de 1921, repetindo os magnicídios de 1908 e 1918, reavivam o fatalismo sanguinolento da nossa tendência para o desespero da ditadura.

O fascismo nascente, se não tem adequado partido, ou movimento político, acaba por ser mais perigoso, porque pode levar ao aparecimento de um indefinido chefe militar que até pode ser filiado num partido da extrema-esquerda republicana. Sobretudo se possuir "cabeça de galinha" e "tiver sempre a opinião da última pessoa com quem falou". Chama-se Gomes da Costa.

O temido partido conservador pode não ser esmagador em votos, mas acaba por desencadear chefes, peritos na arte da demagogia, hábeis na dialética jornaleira, comicieiros e fulminantes nos floreados parlamentares. Chama-se Cunha Leal.

A república velha está tramada. António José de Almeida está mobilizado para o palácio de Belém. Sebastião de Magalhães Lima, envelhecido, fica-se pelo palácio do Bairro Alto. 

O ausente-presente, Afonso Costa, pela sua genialidade e mestria, continua a ser um eucalipto de saudade, impedindo que surjam alternativas, dentro do situacionismo.

Resta António Maria da Silva, dedicado, persistente, obstinadamente servidor das suas crenças. Mas não passa de mero número dois, apenas com ambições de serviço, com algum "killer instinct", mas para o baixo nível do seu perfil de missão. Nunca consegue aquele mais além que o poderia fazer brasa, porque lhe falta a exigida criatividade.

Não sabe gerir a sua ala radical, protagonizada por José Domingues dos Santos. 

Não consegue integrar, na república, os seareiros. 

E é desastradamente institucional na gestão das crises militares. 

Falta-lhe asa para poder voar e acaba por repetir o modelo de António Teixeira de Sousa nos últimos vagidos da monarquia liberal. 

Morre em serviço e mata a república.

O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...