sábado, 20 de julho de 2019

Os fanfarrões da verborreia, as revoluções perdidas e o mais do mesmo



Os vários regimes pós-liberais sempre tiveram militares fanfarrões que se distinguiram, não no quartel ou no campo de batalha, mas antes atrás dos reposteiros da sociedade de corte e nas emissões histriónicas da verborreia, nomeadamente em jantaradas. 

Fazendo "Blitzkrieg" de demagogia para as parangonas, transformam-se, quase sempre, em "paus de bandeira" de uma qualquer ideologia que navegue à deriva, conforme as ondas que os outros provoquem.

Nem percebem que, no abrilismo, só depois de cair o Carmo é que se começou à procura da Trindade, quando se tentou, "a posteriori" encenar um processo revolucionário que fingiu haver rua, como elemento de pressão para uma série de golpismos de salão e de contagem de espingardas nos quartéis.

Primeiro, encenou-se o "remake" bolchevique, mas não havia suficientes soldados para o controlo de uma aliança operário-camponesa, à maneira de Lenine.

Abril, em vez da revolução de Outubro, ainda preferiu a revolução de Fevereiro. Primeiro, porque o czar já tinha sido assassinado pelo Buíça, pelo Costa e enterrado por Salazar.

Em segundo lugar, porque tinha surgido um Kerensky eficaz, que venceu nas urnas, em 1975.

Em terceiro lugar, porque os bolcheviques estavam divididos entre os três mil cunhalistas e os três mil MLs da chamada esquerda revolucionária, a que empolgava manifes e pintava paredes.

Além disso, havia a Santa Madre Igreja, tinha ressurgido a maçonaria e a CIA queria responder ao KGB.

Até no aparelho militar revolucionário, havia um conjunto de militares que não temiam ser contrarrevolucionários, disponíveis para a resistência e assumindo uma eventual guerra civil. Pelo menos, vão responder a golpes com contragolpes.

Pior do que tudo, tinha surgido a tal revolução do sufrágio direto e universal, com derrota dos falsos revolucionários, os que apelaram ao voto no verdadeiro socialismo.

Acresce que a geopolítica dos donos do mundo tinha feito adequada partilha do que restava sob nossa soberania. As ex-colónias podiam parecer sob tutela de Moscovo; e as ilhas atlânticas, em fervor de aliança com Washington; mas a velha metrópole não deixava de ficar sob a influência da NATO e da CEE.

Até porque o generalíssimo Franco ainda estava vivo e a Península Ibérica não poderia transformar-se numa zona "out of control". Não seria possível repetir-se na Europa ocidental o que sucedera a Angola e Moçambique, terras e povos feitos pastos de guerras por procuração de uma maior guerra fria.

Foi o nosso seguro para o lançamento de vida de uma democracia pluralista e de uma sociedade concorrencial e aberta, a que conseguiu implantar-se, apesar de tudo, num ambiente de imprevisibilidade, onde, depois da trovoada do PREC, veio a bonança de uma rotina de tolerância, acontecendo, na sequência, o regime mais livre e praticante de toda a nossa história contemporânea.

Os discursos dos grupos jantantes do movimento unitário que juntou os contrarrevolucionários da tropa ao gonçalvismo não chegam para que nenhum deles faça nova saldanhada!

O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...