
O devorismo tanto é uma forma de conquista do poder, como uma situação de legítima defesa, quando a classe política se sente alienígena face a um povo que lhe é manifestamente diferente.
Por outras palavras, as classes políticas predadoras aproximam-se dos regimes de colonização interna, onde, a partir de uma capital, se vai ocupando a paisagem da chamada província, nomeadamente através de governadores civis que, em nome do ministério do reino, ou do interior, vão fazendo campanhas capitaleiras, principalmente por ocasião das eleições.
Naturalmente, todos os novos regimes caem sempre na tentação de um partido-sistema, mas que raramente deixa de ter várias cabeças, salvo se se criar um partido antipartido, a que se dá o nome de partido único.
Na monarquia liberal acabou por formar-se, com o rotativismo, através de acordos pré-eleitorais, um bailado de regeneradores contra progressistas.
Na república, dominou um tri-partido republicano, de afonsistas, almeidistas e camachistas, e os dois primeiros chegaram a constituir uma breve união sagrada, em momento de política de guerra. O rotativismo posterior ao sidonismo acabou por não funcionar e o regime estrangulou-se.
No abrilismo, depois de ultrapassada a tentação do PREC, contra o reconhecimento dos resultados das eleições de 25 de abril de 1975, logo voltou um tripartido adepto da integração europeia e da NATO, com o PS, o PSD e o CDS, levando os dois primeiros ao lançamento de um bloco central.