Excertos de textos de José Adelino Maltez, em obras no prelo, visando a comemoração do duplo centenário da revolta liberal
sábado, 20 de julho de 2019
Os integralistas e a colheita que deles fez o salazarismo
Os neomonárquicos do Integralismo Lusitano são de um tempo em que a paixão pelas ideias política ainda movia os homens. E tiveram mais êxito do qualquer movimento fascista cá do quintal.
Foram muito parecidos com a garra republicana de antes de 1910 e que ainda chegou a ser partilhada pelo seu principal fundador, o polemista e poeta António Sardinha, ou António de Monforte.
Também não coincidiam com os legitimistas que resistiam, embora partilhassem muito do respetivo irredentismo.
Embora monárquicos, começaram por desobedecer ao próprio rei vivo, D. Manuel II, mas, paradoxalmente, enquanto os fundadores do grupo se tornaram, quase todos, antissalazaristas consequentes, de Luís de Almeida Braga a José Hipólito Raposo, de Rolão Preto a Alberto Monsaraz, as fornadas de jovens que eles formaram acabaram por ser menos irreverentes do que os mestres e tornaram-se numa das fileiras mais seguras e fiéis dos próprio Estado Novo.
Alguns, como Marcello Caetano, até se passaram a arautos do regime defunto, contra a hipótese de restauração da monarquia, ao serviço de Salazar.
Pertencia ao pretérito de Marcello a sua garra de combatente de causas e ficava-se pela reação. E os adesivos neo-integralistas até serviram para o salazarismo declarar que o situacionismo era do centro e que não estava pressionado.
Os velhos integralistas antissalazaristas ombreiam com os republicanos e os comunistas em conspirações, golpes de Estado, degredos e livros apreendidos, incluindo os que nunca participaram no nacional-sindicalismo, mas se mantiveram fiéis à lusitana, antiga liberdade.
Claro que os pretensos caçadores de fascistas, entre os rodapés dos anos trinta, continuam, e continuarão, a silenciar aquilo que nunca poderão compreender, até quando reduzem os integralistas a um bando de tradutores em calão do maurrasianismo.
E vai daí não leem nem se apercebem de uma das principais novidades culturais do primeiro quartel do nosso século XX e que reproduziu em democracia cim a geração de Fernando Amado e dos fundadores do Centro Nacional de Cultura. Logo, nem reparam de onde veio Henrique Barrilaro Ruas.
Poderia ter havido Vinte e Cinco de Abril sem eles, mas eles acabaram por ser um dos pilares do próprio abrilismo, dando identidade democrática consolidada a algumas das nossas heranças monárquicas.
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