domingo, 21 de julho de 2019

Entre o governar à inglesa e o acabar à turca



Em 1906, o senhor D. Carlos prefere a preguiça do intervencionismo e lança o governo de João Franco (1855-1929), aliado aos lucianistas, com a boa intenção de governar à inglesa

O rei gosta que o chefe do governo possa caçar no terreno dos republicanos, que até vencem as eleições em Angola e no Porto. Não repara na importância de Francisco Gomes da Silva (1853-1909) se assumir como grão-mestre interino do Grande Oriente Lusitano Unido (1906-1907), no mesmo ano em que é iniciado José Francisco Trindade Coelho (1861-1908)

É então que outro maçom, Feio Terenas (1850-1920), propõe a criação de uma Universidade Populare que se realiza a Conferência Maçónica da Figueira da Foz, organizada por Manuel Jorge da Cruz (1880-1941). 

Contudo, o intervencionismo de D. Carlos (1863-1908) é ensombrado por aparecer a questão dos adiantamentos no parlamento, com vibrantes discursos de Afonso Costa (1871-1937): por menos do que fez o senhor D. Carlos, rolou no cadafalso a cabeça de Luís XIV. Não tarda que os mesmo republicanos vençam as eleições municipais do Porto (4 de novembro). 

É um tempo de difuso populismo, onde todos os políticos cimeiros procuram usar a ralé, de republicanos a monárquicos, num permanente festival de povo, só domesticado pelas selfies do presidente Marcelo Rebelo de Sousa (1948-). 

Não compreendem que o tumulto é uma tempestade que vai sempre voltar-se contra os pretensos feiticeiros, retomando-se o pior das movimentações patuleias e repetindo-se alguns dos gestos da própria canalha miguelista. O povo é quem mais ordena, mas quem com ferro mata, com ferro acabará por morrer.

Em 1907, o país é agitado pela chamada greve académica, desencadeada a partir de Coimbra, enquanto João Franco (1855-1929)passa a governar à turca. É um tempo de mudanças, mas apenas com deslocação do que estava de um local para outro...

Os políticos do sistema são bandalhos, débeis e palacianos, não há partidos separados por ideologias diferentes e faltam honestos, fortes e justos, como assinala o jovem grevista Fernando Pessoa, no mesmo momento em que António de Oliveira Salazar (1889-1970) se torna professor do Colégio da Via Sacra, em Viseu, depois de frequentar o seminário. Já Júlio de Vilhena (1846-1928) passa a líder dos regeneradores

Enquanto isto, desenvolve-se, em Lisboa, uma agitação bombista e cresce a adesão aos republicanos, ao mesmo tempo que os franquistaspassam a ser conhecidos pelos talassas.

Como vai dizer D. Carlos (1863-1908), em 23 de maio: estamos diante de uma fogueira que desejamos apagar, e não se apaga o fogo lançando-lhe lenha. 


O fim do Portugal Velho

José Xavier de Gomide Mouzinho da Silveira (1780-1849) é o reformador liberal que redige a s principais leis orgânica...